A indústria brasileira reagiu com preocupação ao anúncio de tarifas adicionais de 10% sobre produtos exportados para os Estados Unidos, medida imposta pelo governo norte-americano, nesta quarta-feira (2).
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que vai analisar detalhadamente os impactos das novas barreiras comerciais e intensificar o diálogo com autoridades e empresários dos EUA para minimizar os efeitos negativos sobre o comércio bilateral.
“Claro que nos preocupamos com qualquer medida que dificulte a entrada dos nossos produtos em um mercado tão importante quanto os EUA, o principal para as exportações da indústria brasileira. No entanto, precisamos fazer uma análise completa do ato. É preciso insistir e intensificar o diálogo para encontrar saídas que reduzam os eventuais impactos das medidas”, declarou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
Para buscar soluções, a CNI liderará uma missão empresarial aos Estados Unidos na primeira quinzena de maio, reunindo-se com representantes do governo e do setor privado americano. O objetivo é discutir formas de facilitar o comércio e evitar medidas protecionistas.
“Reiteramos a disposição da indústria de contribuir com as negociações com os parceiros americanos. A missão empresarial estratégica para os EUA tem justamente o objetivo de aprofundar o relacionamento e discutir caminhos para fortalecer a cooperação e o comércio entre o Brasil e os Estados Unidos”, afirmou Alban.
Relações comerciais
De acordo com a instituição, os EUA são o principal destino das exportações da indústria de transformação do Brasil, especialmente em setores de maior valor agregado.
Segundo a CNI, em 2024, as vendas para o mercado americano somaram US$ 31,6 bilhões, com efeitos diretos na geração de empregos e na produção nacional.
A CNI defende que, ao contrário de outros parceiros comerciais dos EUA, o Brasil mantém um superávit a favor dos americanos. Nos últimos 10 anos, os EUA acumularam um saldo positivo de US$ 91,6 bilhões em trocas bilaterais.
Além disso, de acordo com a instituição, o Brasil aplica tarifas médias de apenas 2,7% sobre produtos americanos, abaixo da tarifa nominal de 11,2%. A CNI reforça que, diante desse cenário, as novas tarifas podem desequilibrar uma relação comercial historicamente vantajosa para os dois países.
Produtos mais afetados pelas tarifas
Dos 20 principais itens exportados pelo Brasil para os EUA, em 13 deles os americanos são os maiores compradores. Entre os mais impactados, segundo a CNI, estão:
- Aviões entre 2.000 kg e 15.000 kg (97,4% das exportações vão para os EUA)
- Produtos semimanufaturados de outras ligas de aço (94,9%)
- Madeira de coníferas perfilada (98%)
- Suco de laranja não congelado (54%)
- Café não torrado (18%)
Fonte: www.cnnbrasil.com.br