Centenas de milhares de pessoas se reuniram em Istambul neste sábado (29) para protestar contra a prisão do prefeito Ekrem Imamoglu, principal rival do presidente Tayyip Erdogan, transformando o evento nas maiores manifestações que a Turquia viu em mais de uma década.
Manifestantes atenderam aos apelos da oposição e foram às ruas em todo o país desde que Imamoglu foi detido na semana passada e depois preso aguardando julgamento por acusações de corrupção.
Os protestos foram principalmente pacíficos, mas quase duas mil pessoas foram detidas.
O principal opositor, o Partido Republicano do Povo (CHP), outros partidos de oposição, grupos de direitos humanos e potências ocidentais declararam que o caso contra Imamoglu é um esforço politizado para eliminar uma potencial ameaça eleitoral a Erdogan.
O governo nega qualquer influência sobre o judiciário e diz que os tribunais são independentes.
Centenas de milhares de pessoas agitando bandeiras e faixas turcas invadiram o local do protesto à beira-mar em Maltepe, no lado asiático de Istambul, para o protesto “Liberdade para Imamoglu” deste sábado, organizado pelo CHP.
“Se a justiça for silenciosa, o povo falará”, dizia uma faixa erguida na multidão.
No último domingo, o CHP realizou uma eleição primária para endossar Imamoglu como candidato para a próxima eleição presidencial.
Isso está programado para ser realizado em 2028, mas o partido está reivindica um pleito antecipado, argumentando que o governo perdeu legitimidade.
O Ministro do Interior Ali Yerlikaya afirmou esta semana que quase 1.900 pessoas foram detidas desde o início dos protestos, acrescentando que os tribunais prenderam 260 delas aguardando julgamento até quinta-feira.
Erdogan, que dominou a política turca por mais de duas décadas, rejeitou os protestos nacionais como um “show”, alertou sobre as consequências legais e pediu ao CHP que pare de “provocar” os turcos.
Desde a detenção de Imamoglu, os ativos financeiros turcos despencaram, levando o banco central a usar reservas para dar suporte à lira. A turbulência enviou ondas de choque pelo setor privado.
O governo afirmou que o impacto seria limitado e temporário. O banco disse que a dinâmica central da economia não foi afetada, mas que tomaria medidas adicionais se necessário.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br