O governo de Donald Trump escolheu para brigar com o Brasil o campo mais complicado de se achar soluções: o campo das ideologias políticas. O departamento de Estado Americano criticou o Brasil pelo bloqueio de redes sociais americanas aqui, qualificando a decisão judicial de “censura”. Segundo o governo americano, esse tipo de decisão é incompatível com os valores democráticos, incluindo liberdade de expressão.
A nota não cita o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que mandou suspender a rede americana Rumble no Brasil alegando desrespeito à Justiça brasileira, e a plataforma está tentando processar Moraes nos Estados Unidos, pela ordem de cancelar a conta de um blogueiro bolsonarista. O pano de fundo da questão é muito mais amplo.
O governo Trump abraçou a causa das Big Techs, grandes adversárias de taxação e regulação em muitas partes do mundo, incluindo o Brasil. E, via contatos com integrantes da oposição brasileira, começa a abraçar publicamente a visão de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é vítima de perseguição política, inclusive por parte da Justiça brasileira.
Essa postura está alinhada com o empenho de integrantes do governo americano em favorecer grupos políticos de direita com os quais se identifica, seja na Alemanha ou no Reino Unido, entre vários outros países. Para o Brasil, a ameaça de imposição de tarifas comerciais por parte dos americanos é “fichinha” perto dessas questões político-ideológicas.
Trump enxerga o Brasil como parte de um grande eixo que pretende destronar o dólar e ajudar a China na luta geopolítica. O que aconteceu nesta quarta-feira (26) é só o começo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br